[Resenha + Quotes] Uma Real Leitora — Alan Bennett

Oioi gente! Como vocês estão?

Na minha cidade o frio está acabando, vocês acreditam? Poxa, eu estava louca para aproveitar o clima e passar o dia debaixo do cobertor.

Uma Real Leitora é um dos livros que está na minha TBR de Inverno, e eu já terminei a leitura! Ouvi um aleluia, irmãos?

uma real leitoraCerto dia. a alegria exagerada de alguns dos cães welsh corgi da rainha inglesa chama a sua atenção. Ao chegar à varanda do palácio. Sua Alteza presencia os cachorros latindo para um furgão estacionado. Curiosa. não hesita em vencer os pequenos degraus e descobre a biblioteca itinerante. É o início de uma grande paixão pela leitura. que terá como guia Norman. um controvertido empregado do palácio. De uma hora para outra. Sua Alteza torna-se assídua freqüentadora da biblioteca. Henry James. Charles Dickens e Marcel Proust são seus novos companheiros.

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Uma Real Leitora foi um livro que peguei despretensiosamente na biblioteca, porque o título era interessante e a capa muito elegante. Não tinha muitas expectativas, o que contribuiu bastante para que a obra me impressionasse. Na verdade, antes da TBR de inverno eu nem pensava em realmente lê-lo e foi uma surpresa muito grande ao me ver presa nas páginas, usando a velha desculpa de “só mais um capítulo”.

O livro é um romance de Alan Bennett, onde a protagonista não é ninguém mais, ninguém menos que a Rainha Elizabeth II. E ele narra de forma muito descontraída, citando clássicos da literatura inglesa e mundial, como surgiu o amor da monarca pelos livros.

Tudo começou durante um passeio com seus cachorros, no Palácio de Buckingham. Onde os corgis malcriados e esnobes, saíram correndo feito loucos, latindo para um grande furgão estacionado. O furgão pertencia a biblioteca itinerante de Westminster.

De imediato, durante a primeira visita inesperada, pegar um livro parecia uma obrigação. Da segunda vez, a rainha realmente se entregou a obra, passando a ler constantemente, enquanto é assessorada por Norman, um rapaz ruivo e magricela que trabalhava na cozinha.

Logo Norman é promovido, e a cede de leitura da rainha aumenta, o que irrita as pessoas ao seu redor. As obrigações reais que Elizabeth tinha muita satisfação em cumprir, passaram a ser inconvenientes, chegar uns minutinhos atrasada também estava virando rotina, assim como repetir peças de seu guarda-roupa, o que antes era considerado inadmissível. E se não bastasse isso, os assuntos que antes giravam em torno de problemas reais, clima e coisas supérfluas, dá lugar a discussões acaloradas (e monólogas), sobre Thomas Hardy, e seu poema do Titanic e do iceberg, Proust e muitos outros autores que ninguém — além da monarca e Norman — parece conhecer. A lista da rainha é extensa, fazendo-a pensar que nunca terá tempo de compensar os anos que perdeu sem ler.

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A leitura é muito gostosa e instrutiva. Alan Bennett descreve como é a vida da monarca, mas não da forma glamourosa que estamos acostumados a imaginar. Bennett descreve a rotina de Elizabeth, os afazeres e como a rainha idosa é vista e subestimada. Em contrapartida, demonstra o quanto a velhinha é astuta e cativante.

Foi uma leitura rápida de um dia, de onde tirei lições importantes e quotes maravilhosos.

Se você é daqueles leitores que estão sempre com um livro estrategicamente bem colocado e a qualquer momento sacam uma edição e se desligam do mundo, com certeza Uma Real Leitora é uma boa pedida.

Melhores quotes:

“— Briefing é seco, factual, direto. Ler é confuso, discursivo e eternamente atraente. Briefing encerra um assunto, ler abre.”

Pág 27.

 

“— Com certeza a maior parte das pessoas sabe ler?

— Sabem ler, majestade, mas não tenho certeza de que leiam.

— Então, Sir Kevin, estou dando um bom exemplo.”

Pág 32.

 

“— Entendo — disse ele [Sir Kevin] — Vossa Majestade precisa de um passatempo.

— Passatempo? — disse a rainha — Livros não são passatempo. São sobre outras vidas. Outros mundos. Longe de querer que o tempo passe, Sir Kevin, o que queremos é ter mais tempo.”

Pág 33.

 

“O apelo da leitura, pensava ela, estava em sua indiferença: havia algo altivo na literatura. Livros não se importavam com quem os estava lendo ou se os liam ou não. Todos os leitores eram iguais, ela inclusive. A literatura, pensou, é uma Commonwealth; as letras, uma república. […] Naquela época, ela considerava ligeiramente ofensivo falar de república, sob qualquer aspecto, e em sua presença, uma falta de tato, no mínimo. Só agora entendia o que queria dizer. Livros não faziam deferências. Todos os leitores eram iguais. […] Era anônima; era compartilhada; era comum a todos. E ela, que havia levado uma vida apartada, agora descobria que tinha fome daquilo. Ali naquelas páginas e entre aquelas capas podia caminhar incógnita.”

Pág 35.

 

“— É. É exatamente isso que é. Um livro é uma bomba que faz explodir a imaginação.”

Pág 37.

 

“— Nós lemos por prazer — disse a rainha — Não é um dever público”.

Pág 46.

 

“Penso na literatura como um vasto país para cujas distantes fronteiras estou viajando, mas que não é possível alcançar. Eu comecei tarde demais. Nunca vou recuperar o tempo perdido. A etiqueta pode ser ruim mas a vergonha é pior”.

Pág 48.

 

“Um autor escocês foi particularmente alarmante. Quando ela perguntou de onde vinha sua inspiração, ele respondeu ferozmente:

— Não vem, majestade. Tenho que sair atrás dela”.

Pág 52.

 

“Uma receita para a felicidade é não ter nenhuma sensação de ter direito a alguma coisa. Esta é uma lição que nunca estive em posição de aprender. […] Ele [Anthony Powell] observou que ser escritor não desobrigava ninguém de ser um ser humano. Enquanto isso (e isso não dissemos) ser rainha desobriga. Tenho de parecer um ser humano o tempo todo, mas raramente tenho de ser um. Tenho gente para fazer isso por mim”.

Pág 70.

 

“Você não põe sua vida nos seus livros. Você a encontra neles”.

Pág 94.

 

“— Como alguns de vocês sabem, ao longo dos últimos anos me transformei numa ávida leitora. Os livros enriqueceram minha vida de uma forma que nunca teríamos esperado. Mas livros só podem nos levar até um determinado ponto e agora acredito ter chegado a hora de no lugar de leitora me transformar, ou tentar me transformar, em escritora”.

Pág 103.

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TBR de Inverno

Oioi gente!

O inverno chegou e esse clima friozinho é ótimo para ficar debaixo do cobertor com um bom livro. Por causa disso, e porque minhas férias estão se aproximando, resolvi montar uma TBR (a primeira do A&V, por sinal). Selecionei alguns livros que estão atrasados na minha lista, e que pretendo ler do dia 17/07 (segunda-feira), até o dia 30/07 (domingo).

Eu me considero péssima na hora de cumprir metas, mas prometo me esforçar. E, claro, o clima vai contribuir bastante.

Os livros escolhidos foram:

1 – Extraordinário, R. J. Palacio.

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August Pullman, o Auggie, nasceu com uma síndrome cuja sequela é uma severa deformidade facial, que lhe impôs diversas cirurgias e complicações médicas. Por isso ele nunca frequentou uma escola de verdade.. até agora. Todo mundo sabe que é difícil ser um aluno novo, mais ainda quando se tem um rosto tão diferente. Prestes a começar o quinto ano em um colégio particular em Nova York, Auggie tem uma missão nada fácil pela frente: convencer os colegas de que, apenas da aparência incomum, ele é um menino igual a todos os outros.

 

Esse é um livro que quero ler desde o lançamento e nunca tive oportunidade. Li críticas maravilhosas e agora essa leitura vai ser obrigatória durante essas duas semanas.

2 – Uma Real Leitora, Alan Bennett.

uma real leitoraCerto dia. a alegria exagerada de alguns dos cães welsh corgi da rainha inglesa chama a sua atenção. Ao chegar à varanda do palácio. Sua Alteza presencia os cachorros latindo para um furgão estacionado. Curiosa. não hesita em vencer os pequenos degraus e descobre a biblioteca itinerante. É o início de uma grande paixão pela leitura. que terá como guia Norman. um controvertido empregado do palácio. De uma hora para outra. Sua Alteza torna-se assídua freqüentadora da biblioteca. Henry James. Charles Dickens e Marcel Proust são seus novos companheiros.

 

Uma Real Leitora é um livro que me persegue na biblioteca. Ele fica em um ponto estratégico e sempre acabo esquecendo e pegando-o novamente para olhar a capa. Não sei se estou com grandes expectativas, no entanto, como são pouco mais de 100 páginas, resolvi arriscar.

3 – Amor, Histórias e Cupcakes, Sue Watson.

amor, histórias e cupcakesFaye Dobson perdeu seu brilho. Vivendo de fantasias cinematográficas e vagas memórias do que seu casamento já foi, ela não pode evitar o sentimento de que a vida está passando por ela. Faye sonha em ser sequestrada para um jantar em Paris, fazer três desejos na Fontana di Trevi e fazer sexo sob as estrelas. Mas as rugas começam a aparecer, a paixão de seu marido é pelo trabalho e o mais perto que ela chegará de Roma é o delivery de pizza. Quando Faye conhece Dan, um lindo surfista australiano que trabalha na delicatessen da cidade, ela não consegue deixar de pensar em como seria conhecer o mundo. Ele é loiro, bronzeado, dez anos mais novo e faz o melhor cupcake de limão. Diferente de seu marido, Dan realmente a ouve, seus sorrisos fazem com que ela se sinta quente e quando ele sorri… Ai, Meu, Deus. Mas será que Faye está sendo boba? O que Dan veria em alguém como ela? E, mesmo que visse algo, ela poderia desistir de tudo para ficar com ele?

Na verdade eu ganhei esse livro de uma amiga muito querida, e sinto muito em dizer que mesmo a capa sendo maravilhosa, ele está parado na minha estante implorando para ser lido. Graças a essa TBR isso finalmente vai acontecer.

4 – A Noiva do Capitão, Tessa Dare.

a-noiva-do-capitao-tessa-dare-1024x1478Madeline possui muitas habilidades preciosas: é uma excelente desenhista, escreve cartas como ninguém e tem uma criatividade fora do comum. Mas se tem algo em que ela nunca consegue obter sucesso, por mais que tente, é em se sentir confortável quando está cercada por muitas pessoas… Chega a lhe faltar o ar! Um baile para ser apresentada à Sociedade é o sonho de muitas garotas em idade para casar, mas é o pesadelo de Maddie. 

E, para escapar dessa obrigação, a jovem cria um suposto noivo: um capitão escocês. Ela coloca todo o seu amor em cartas destinadas ao querido – e imaginário – Capitão Logan MacKenzie e convence toda a sua família de que estão profunda e verdadeiramente apaixonados. 

Maddie só não imaginava que o Capitão “MacFajuto” iria aparecer à sua porta, mais lindo do que ela descrevia em suas cartas apaixonadas e pronto para cobrar tudo o que ela lhe prometeu.

Em dezembro de 2016 eu estava louca para ler esse livro, então finalmente comprei o livro digital e… E nada. Fiquei tão enrolada que não pude sentar e apreciar esse livro maravilhoso, por isso me recuso a passar o recesso sem lê-lo.

E então? O que vocês acharam da minha TBR? Fiquem à vontade para darem sugestões ❤

[Resenha] Austenlândia — Shannon Hale

Capa Austenlândia V2 RB.aiJane Hayes tem 33 anos e mora na Nova York atual. Bonita, inteligente e com um bom emprego, ela guarda um um segredo constrangedor: é verdadeiramente obcecada pelo Sr. Darcy. Embora sonhe com ele, os homens reais com os quais se depara são muito diferentes dos que habitam sua fantasia. Justamente por isso, ela decide deixar de lado sua vida amorosa e aceitar seu destino: noites solitárias aconchegada no sofá assistindo a Colin Firth em seu DVD. Porém, esses não são os planos que sua rica e velha tia-avó Carolyn, tem para a moça. A única a descobrir o segredo de Jane deixa, em seu testamento, férias pagas para a sobrinha-neta na Austenlândia. A ideia é que Jane tenha uma legítima experiência como uma dama no início do século XX e consiga se livrar de uma vez por todas de sua obsessão. Contudo, para isso, ela terá que abrir mão do celular, da internet e até do uso de sutiãs em troca de tardes de leitura, espartilhos e… a companhia de belos cavalheiros. 

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Editora: Record     ano: 2014     Páginas: 240     autor: Shannon Hale

Quando comecei a ler Austenlândia, minhas expectativas estavam muito altas. Bem, e como não estariam? Como leitora assídua de romances de época, ler um livro que revive o século XIX (dezenove), em contraste com nossa época, era realmente algo a se esperar muito. Por isso, e só por isso, ele me decepcionou um pouquinho.

Jane Hayes é uma americana bonita, com um emprego aceitável. No entanto, aos 33 anos, continua sozinha. Ah, e o que tem de errado nisso, né? O problema é que Jane está obcecada (embora deteste admitir isso), pelo Sr. Darcy. Passando suas noites assistindo Orgulho e Preconceito, revendo os olhares trocados por Lizzy e o Sr. Darcy, naquela versão da BBC, onde o maravilhoso Colin Firth o representa. Jesus! Até eu sofro desse mal.

Jane via e revia a parte em que Elizabeth e o Sr. Darcy olham um para o outro por cima do piano e há aquele estalo, e o rosto dela se suaviza, e ele sorri, com o peito arfando como se fosse inspirar a imagem dela, e os olhos dele brilham tanto que você até pensa que ele vai chorar… Ah!

E se não bastasse isso, Jane procura pelo irresistível personagem em todos os caras que namora. E, claro, quando comparados, nunca superam as expectativas, e a pobre Jane continua só, embarcando em outras jornadas amorosas, em busca do tão esperado romance arrebatador.

Desiludida com tantas decepções, ela decide que agora basta. Já chega de homens e suas ilusões. Está na hora de colocar os pés no chão e seguir em frente, sem o Sr. Darcy ou qualquer outro homem que apareça.

— [Orgulho e Preconceito] Além de inteligente e engraçado e talvez o melhor romance já escrito, também é a história de amor mais perfeita da literatura, e nada na vida consegue chegar aos pés dela, então passo meus dias mancando à sombra dela.

E tudo ia bem, ou pelo menos ficaria, com o passar do tempo, quando sua tia-avó Carolyn morre, e a deixa no testamento. Bem, as duas nunca foram próximas, então não era de se esperar nada tão grandioso. Porém, a surpresa foi maior: tia Carolyn a havia deixado uma viajem para Austenlândia, o lugar de seus sonhos, ou seriam pesadelos?

Depois de muito refletir, Austenlândia, em Pembrook Park, na Inglaterra, parecia ser o ponto final perfeito para abandonar sua obsessão. Jane embarcaria nessa aventura, viveria o tão sonhado século dezenove e sairia de lá curada, deixando o maravilhoso Sr. Darcy para trás, e com ele, tudo que estava relacionado a homens.

Em Pembrook Park, Jane Hayes se torna a Srta. Jane Erstwhile, sobrinha de Sir John Templeton e Lady Saffronia, duas pessoas que ela nunca havia visto na vida. Suas calcinhas e sutiãs foram substituídos por espartilhos desconfortáveis e calçolas nada práticas, e o meio urbano tumultuado deu lugar ao ambiente campestre, repleto de colinas e arvores frondosas. Lindo, maravilhoso, porém, nem um pouco real. No meio de todo aquele faz de conta, com mulheres carentes pagando horrores para se sentirem o centro das atenções de atores usando coletes de gola alta, casacos com cauda e até costeletas, Jane se sentia sufocada, patética e desiludida.

O livro é muito bem construído, a protagonista é divertida, espirituosa e faz muito papel de trouxa. Sério, me imaginei no lugar dela, sofrendo as mesmas desilusões, a procura do cavalheiro de época que mora nos romances.

Quando ela se deu uma pausa para absorver a ideia, a verdade lhe pareceu tão destruidora quanto a descoberta sobre o Papai Noel aos 8 anos. Não existe Sr. Darcy. Ou, mais precisamente: O Sr. Darcy seria na verdade um idiota chato e pomposo.

O final teve uma reviravolta e tanto, e eu gostei. Bem, foi no mínimo inusitado e um pouco confuso, mas, rá, a Jane ficou com quem eu queria. Já o meio do livro foi maçante, embora demonstre bem como verdadeiramente era a vida das ladies do século dezenove: um completo tédio, dividido entre bordado, conversas supérfluas e caminhadas com vestidos pesados, sujando a barra no campo molhado. Fiquei decepcionada porque esperava por bailes, e só teve um, no singular, um dia antes da protagonista partir do conto de fadas.

No mais, achei Austenlândia encantador, com aquela pitada de desilusão e ótimas referências aos livros de Jane Austen. É uma leitura leve e descontraída que completei em dois dias. Pois é, eu estava mesmo desesperada por um livro assim.

E para terminar a resenha, esse é o trecho que descreve perfeitamente o que sinto quando leio algum romance de época arrebatador (não só os da Austen):

E Orgulho e Preconceito era o romance mais maravilhoso e emocionante de todos os tempos, do tipo que penetrava a alma de Jane e a fazia tremer.

[Editora Illuminare] Seletiva de Contos

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Oioi gente!

A Editora Illuminare está abrindo novas seletivas para contos:

📌 Livro: Buenos Aires – Contos de uma cidade que não dorme 
Temática: contos ambientados em pontos turísticos de Buenos Aires – Edição Especial Internacional – Bilíngue: português/espanhol

Organização Rô Mierling e Fernando Nunes

 

📌 Livro: Sete Pecados Capitais – Volume II
Temática: Contos sobre os 7 Pecados Capitais
​Organização Rô Mierling

 

📌 Livro: Policial à Brasileira
Temática: Contos policiais
Organização Tito Prates e Rô Mierling 


📌 Livro: Um Grito do Silêncio
Temática: Contos sobre violência contra a mulher
Organização Arca Literária

 

📌 Livro: Galáxias Ocultas
Temática: Contos de Ficção Científica
​Organização Rô Mierling

Vocês podem encontrar os editais dos livros clicando aqui.

E também, todos os autores selecionados para os livros acima, receberão menção na edição especial da revista Contos e Letras – edição física/imprensa – Bienal do Livro. Serão feitas uma tiragem de 2.000 exemplares dessa revista, que será distribuída gratuitamente nos corredores da Bienal.

[Resenha] Jackaby — William Ritter

Oioi gente!

Hoje venho trazer a resenha de um livro que está entre os meus queridinhos: Jackaby, que de uma forma bem estranha se tornou um dos meus crushs literários de 2016. Agora finalmente ele ganhará uma resenha aqui no A&V.

jackaby“Eu sou um homem de razão e da ciência. Acredito no que vejo e posso provar, e o que vejo geralmente é difícil para os outros compreenderem. Até onde eu descobri, tenho um dom ímpar. Isso me permite ver a verdade quando os outros só enxergam ilusão. E há muitas ilusões, muitas máscaras e fachadas. Como dizem, o mundo todo é um palco e parece que eu tenho a única poltrona da casa, com vista para os bastidores.”

Abigail Rook deixou sua família na Inglaterra para encontrar uma vida mais empolgante além dos limites de seu lar. Entre caminhos e descaminhos, no gelado janeiro de 1892 ela desembarca na cidade de New Fiddleham. Tudo o que precisa é de um emprego de verdade, então, sua busca a leva diretamente para Jackaby, o estranho detetive que afirma ser capaz de identificar o sobrenatural.
Contratada como assistente, em seu primeiro dia de trabalho Abigail se vê no meio de um caso emocionante: um serial killer está à solta na cidade. A polícia está convencida de que se trata de um vilão comum, contudo, para Jackaby, o assassino com certeza não é uma criatura humana.
Será que Abigail conseguirá acompanhar os passos desse homem tão excêntrico? Ela finalmente encontrou a aventura com a qual tanto sonhara.

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Editora: Única     ano: 2014     Páginas: 254     autor: William Ritter

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O livro começa com Abigail Rook desembarcando em New Fiddleham. É final de Janeiro de 1892 e a moça está em um lugar desconhecido, sem emprego e sem dinheiro.

Abigail, filha de pai antropólogo, sempre teve sede pela descoberta, no entanto, seu desejo de conhecer o novo foi sufocado por anos pelo pai. Até que movida pelo desejo de buscar aventuras, Abigail fugiu. Pegou o dinheiro destinado aos estudos e ingressou numa expedição com o anuncio de uma “Oportunidade Empolgante” em mãos. No fim o trabalho não tinha nada de empolgante, porém era tarde demais para voltar atrás.

Os meses seguintes poderiam ser descritos como uma “oportunidade empolgante”, somente se a definição de empolgante incluísse passar meses comendo as mesmas refeições sem gosto, dormindo em caminhas desconfortáveis e cavando, com pá, a terra rochosa, dia após dia, numa busca inútil.

Agora ali estava ela: em um lugar desconhecido e sem um centavo no bolso, mas obstinada o bastante para não voltar para casa.

A Srta Rook foi sem dúvida uma das personagens que mais gostei. Ela tem foco, gosta de fazer perguntas e não tem medo de arriscar. Imaginei-a muitas vezes como uma moça inocente e curiosa para alguns assuntos, porém determinada e segura em outros.

Precisando de emprego e em sua busca por aventura, ela não pensou duas vezes e respondeu ao anúncio de serviços investigativos encontrado. Jackaby, seu mais novo patrão, via o extraordinário, invadia cenas de crime, roubava provas de investigações e afirmava que criaturinhas moravam no casaco de Abigail. E de uma forma bem maluca, era o tipo de aventura que a Srta Rook vinha buscando.

Esse mundo está cheio de dragões. O que precisamos é de um pouco de gente que não seja orgulhosa demais para ouvir um peixe.

Embarcando em uma investigação arriscada, os dois partem em busca de um misterioso assassino que comete crimes brutais e que, pelo que afirma o detetive, não era humano.

A leitura é leve, narrada em primeira pessoa pela Abigail, com diálogos descontraídos por causa do sarcasmo e excentricidade de Jackaby. A dose sobrenatural é a grande chave do livro, com criaturas de diferentes culturas que enriqueceram a obra. Os personagens secundários também merecem seu lugar na resenha: O inspetor Marlowe é o principal alvo das investidas sarcásticas de Jackaby, e as cenas em que os dois se confrontam são muito, mas muito divertidas; e há o detetive Charlie Cane que tem papel fundamental no desenrolar dos fatos (e no meu coração ~CofCof).

Não vou mentir: comprei o livro pela capa. Ele estava na promoção e a capa com detalhes em verniz tinha que fazer parte da minha estante. Foi uma compra as cegas e sem nenhuma recomendação, mas não me arrependi nem um pouco.

Minha única ressalva é a forma de organização dos parágrafos. A forma de escrita do William Ritter me deixou um pouco confusa, com algumas falas juntas no mesmo parágrafo. Essa “bagunça” foi proposital, provavelmente para fugir dos padrões e se assemelhar à história. Não prejudica a leitura em si, no entanto, foi desconfortável.

Quanto à diagramação e o enredo, os dois estão sensacionais. A edição da Editora Única está maravilhosa, com folhas levemente amareladas e a capa envernizada, e a narrativa de Jackaby prende até a ultima página. Como primeiro romance do Ritter, só tenho a dizer que amei e aguardo ansiosamente a publicação dos outros volumes.

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