[Resenha] Amor, Histórias e Cupcakes — Sue Watson

Oioi gente!

Eu vim trazer mais uma resenha, dessa vez do segundo livro da minha TBR. Sério, eu estou me superando com tantas resenhas em uma semana, dá até um orgulhozinho por estar cumprindo minhas metas sem enrolação.

Eu ganhei esse livro de uma amiga muito querida e finalmente posso dizer que LI AMOR, HISTÓRIAS E CUPCAKES! Nossa, vocês não tem noção do quanto enrolei antes de finalmente tomar vergonha na cara e finalizar a leitura.

amor, histórias e cupcakesFaye Dobson perdeu seu brilho. Vivendo de fantasias cinematográficas e vagas memórias do que seu casamento já foi, ela não pode evitar o sentimento de que a vida está passando por ela. Faye sonha em ser sequestrada para um jantar em Paris, fazer três desejos na Fontana di Trevi e fazer sexo sob as estrelas. Mas as rugas começam a aparecer, a paixão de seu marido é pelo trabalho e o mais perto que ela chegará de Roma é o delivery de pizza. Quando Faye conhece Dan, um lindo surfista australiano que trabalha na delicatessen da cidade, ela não consegue deixar de pensar em como seria conhecer o mundo. Ele é loiro, bronzeado, dez anos mais novo e faz o melhor cupcake de limão. Diferente de seu marido, Dan realmente a ouve, seus sorrisos fazem com que ela se sinta quente e quando ele sorri… Ai, Meu, Deus. Mas será que Faye está sendo boba? O que Dan veria em alguém como ela? E, mesmo que visse algo, ela poderia desistir de tudo para ficar com ele? Uma comédia hilária e cativante sobre como tomar as rédeas de sua vida, antes que seja tarde demais.

Saraiva – Submarino

Editora: Pandorga     ano: 2016     Páginas: 300     autor: Sue Watson

IMG_20170723_1022327421O livro conta a história de Faye Dobson, uma mulher com mais de 40 anos e que passou a vida se dedicando à família. Após engravidar de Emma, Faye abriu mão de entrar em uma universidade e se contentou em casar-se com o pai de sua filha, fazendo de tudo para criá-la. Agora, no entanto, com Emma crescida e fora de casa, a relação de Faye com o marido, Craig, parece insustentável. Os dois não agem como um casal, e Craig poderia facilmente trocá-la por tubos de encanação.

É isso? […]. Apenas um sutiã antigo, seios envelhecidos e sexo com o mesmo homem até que eu morra? Sem cadeiras vazias nas mesas do terraço, sem dança sob as estrelas e sem champanhe no gelo esperando por mim?

Em mais uma das inúmeras noites em que Craig a deixa sozinha para apreciar a companhia da televisão, Faye encontra uma mochila antiga, com sonhos de sua adolescência. Entre os achados, está sua “lista para a vida”, com vários itens ainda não cumpridos, e um postal com a imagem de um terraço em Nova York.

Apesar de anos mais velha e mais sábia, a imagem ainda tinha o mesmo efeito sobre mim. Um terraço em Nova York em uma enevoada noite dourada, as estrelas surgindo no céu, as luzes da cidade brilhantes e distorcidas abaixo. Duas taças e uma garrafa de champanhe em uma mesa para dois, e, se você continuasse a olhar, a distância, um casal dançando nas sombras.

Usando as roupas de Emma para aplacar a saudade e se dedicando todos os dias a rotina monótona, Faye conhece Dan, um surfista bronzeado, lindo e viajado que trabalha na delicatessen, e seus sonhos e a vontade de viver tudo que não teve oportunidade vem à tona.

Dan é bonito e de sorriso fácil, tem trinta e poucos anos, e quando Faye fala, ele para para ouvi-la, como se ela fosse a mulher mais importante do mundo. E, afinal, por que ela não poderia ser? Se não a mais importante, pelo menos aquela de quem se orgulhasse e que lutasse por seus sonhos.

E então a antiga Faye renasce, cheia de desejos, com uma vontade louca de completar sua lista de vida e de estar naquele terraço em Nova York, com duas taças, uma garrafa de champanhe e uma mesa para dois. E para completar sua lista, a protagonista contará com a ajuda de um surfista maravilhoso, sempre pronto para embarcar em uma boa e alucinante aventura.

O Dan é aquele personagem cativante e perfeitinho. O cara surfa, vive viajando, sabe cozinhar de tudo e é lindo. Ah, e ele gosta de ler! Cadê o meu Dan? De hoje em diante, entrarei em todas as delicatessens do mundo, até encontrar o meu Dan, maravilhosamente bronzeado e com cupcakes de limão a minha espera.

O livro também conta com personagens secundários muito engraçados. Sue, a melhor amiga de Faye, é uma mulher solteira, com mais de quarenta anos, que foi traída pelo marido. Ela acredita em horóscopo e não sai de casa sem antes ver o que o destino a reserva, além de se aventurar em relacionamentos virtuais que acabam não dando nada certo, enquanto, no fundo, espera que seu ex-marido volte. Minha maior decepção com o livro foi a autora não ter dado um final feliz para a Sue, deixando seu final em aberto.

— Não tenho a pretensão de “ser feliz”, amor. Só tento passar cada dia sem cometer suicídio ou assassinato. Isso é o que importa, não é?

— Sue

Amor, Histórias e Cupcakes foi uma leitura divertida. A protagonista é engraçada e parece sempre ter o que falar, mesmo nos momentos mais inoportunos.

Esse estilo de leitura, com protagonistas mais velhas que buscam mais do que uma rotina monótona, vem crescendo bastante e conseguindo seu espaço no mercado. É hora de acabar com o tabu de que casamento tem que ser para a vida toda. Não, não precisa ser assim. Se a pessoa se sente infeliz e sobrecarregada, ou até mesmo se apaixonou novamente, é melhor que termine, de forma sincera e sem traição.

O livro é narrado em terceira pessoa e a diagramação da editora Pandorga está maravilhosa, com as folhas levemente amareladas e com o papel mais firme. E tem essa capa, né gente? Está um arraso! Tenho certeza que a minha amiga me deu o livro por causa dela.

Ah, deem uma lida na mensagem muito sábia abaixo: “A vida é curta; coma bolo”. Siiim!

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Espero que tenham gostado da resenha ❤

[Resenha + Quotes] Uma Real Leitora — Alan Bennett

Oioi gente! Como vocês estão?

Na minha cidade o frio está acabando, vocês acreditam? Poxa, eu estava louca para aproveitar o clima e passar o dia debaixo do cobertor.

Uma Real Leitora é um dos livros que está na minha TBR de Inverno, e eu já terminei a leitura! Ouvi um aleluia, irmãos?

uma real leitoraCerto dia. a alegria exagerada de alguns dos cães welsh corgi da rainha inglesa chama a sua atenção. Ao chegar à varanda do palácio. Sua Alteza presencia os cachorros latindo para um furgão estacionado. Curiosa. não hesita em vencer os pequenos degraus e descobre a biblioteca itinerante. É o início de uma grande paixão pela leitura. que terá como guia Norman. um controvertido empregado do palácio. De uma hora para outra. Sua Alteza torna-se assídua freqüentadora da biblioteca. Henry James. Charles Dickens e Marcel Proust são seus novos companheiros.

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Uma Real Leitora foi um livro que peguei despretensiosamente na biblioteca, porque o título era interessante e a capa muito elegante. Não tinha muitas expectativas, o que contribuiu bastante para que a obra me impressionasse. Na verdade, antes da TBR de inverno eu nem pensava em realmente lê-lo e foi uma surpresa muito grande ao me ver presa nas páginas, usando a velha desculpa de “só mais um capítulo”.

O livro é um romance de Alan Bennett, onde a protagonista não é ninguém mais, ninguém menos que a Rainha Elizabeth II. E ele narra de forma muito descontraída, citando clássicos da literatura inglesa e mundial, como surgiu o amor da monarca pelos livros.

Tudo começou durante um passeio com seus cachorros, no Palácio de Buckingham. Onde os corgis malcriados e esnobes, saíram correndo feito loucos, latindo para um grande furgão estacionado. O furgão pertencia a biblioteca itinerante de Westminster.

De imediato, durante a primeira visita inesperada, pegar um livro parecia uma obrigação. Da segunda vez, a rainha realmente se entregou a obra, passando a ler constantemente, enquanto é assessorada por Norman, um rapaz ruivo e magricela que trabalhava na cozinha.

Logo Norman é promovido, e a cede de leitura da rainha aumenta, o que irrita as pessoas ao seu redor. As obrigações reais que Elizabeth tinha muita satisfação em cumprir, passaram a ser inconvenientes, chegar uns minutinhos atrasada também estava virando rotina, assim como repetir peças de seu guarda-roupa, o que antes era considerado inadmissível. E se não bastasse isso, os assuntos que antes giravam em torno de problemas reais, clima e coisas supérfluas, dá lugar a discussões acaloradas (e monólogas), sobre Thomas Hardy, e seu poema do Titanic e do iceberg, Proust e muitos outros autores que ninguém — além da monarca e Norman — parece conhecer. A lista da rainha é extensa, fazendo-a pensar que nunca terá tempo de compensar os anos que perdeu sem ler.

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A leitura é muito gostosa e instrutiva. Alan Bennett descreve como é a vida da monarca, mas não da forma glamourosa que estamos acostumados a imaginar. Bennett descreve a rotina de Elizabeth, os afazeres e como a rainha idosa é vista e subestimada. Em contrapartida, demonstra o quanto a velhinha é astuta e cativante.

Foi uma leitura rápida de um dia, de onde tirei lições importantes e quotes maravilhosos.

Se você é daqueles leitores que estão sempre com um livro estrategicamente bem colocado e a qualquer momento sacam uma edição e se desligam do mundo, com certeza Uma Real Leitora é uma boa pedida.

Melhores quotes:

“— Briefing é seco, factual, direto. Ler é confuso, discursivo e eternamente atraente. Briefing encerra um assunto, ler abre.”

Pág 27.

 

“— Com certeza a maior parte das pessoas sabe ler?

— Sabem ler, majestade, mas não tenho certeza de que leiam.

— Então, Sir Kevin, estou dando um bom exemplo.”

Pág 32.

 

“— Entendo — disse ele [Sir Kevin] — Vossa Majestade precisa de um passatempo.

— Passatempo? — disse a rainha — Livros não são passatempo. São sobre outras vidas. Outros mundos. Longe de querer que o tempo passe, Sir Kevin, o que queremos é ter mais tempo.”

Pág 33.

 

“O apelo da leitura, pensava ela, estava em sua indiferença: havia algo altivo na literatura. Livros não se importavam com quem os estava lendo ou se os liam ou não. Todos os leitores eram iguais, ela inclusive. A literatura, pensou, é uma Commonwealth; as letras, uma república. […] Naquela época, ela considerava ligeiramente ofensivo falar de república, sob qualquer aspecto, e em sua presença, uma falta de tato, no mínimo. Só agora entendia o que queria dizer. Livros não faziam deferências. Todos os leitores eram iguais. […] Era anônima; era compartilhada; era comum a todos. E ela, que havia levado uma vida apartada, agora descobria que tinha fome daquilo. Ali naquelas páginas e entre aquelas capas podia caminhar incógnita.”

Pág 35.

 

“— É. É exatamente isso que é. Um livro é uma bomba que faz explodir a imaginação.”

Pág 37.

 

“— Nós lemos por prazer — disse a rainha — Não é um dever público”.

Pág 46.

 

“Penso na literatura como um vasto país para cujas distantes fronteiras estou viajando, mas que não é possível alcançar. Eu comecei tarde demais. Nunca vou recuperar o tempo perdido. A etiqueta pode ser ruim mas a vergonha é pior”.

Pág 48.

 

“Um autor escocês foi particularmente alarmante. Quando ela perguntou de onde vinha sua inspiração, ele respondeu ferozmente:

— Não vem, majestade. Tenho que sair atrás dela”.

Pág 52.

 

“Uma receita para a felicidade é não ter nenhuma sensação de ter direito a alguma coisa. Esta é uma lição que nunca estive em posição de aprender. […] Ele [Anthony Powell] observou que ser escritor não desobrigava ninguém de ser um ser humano. Enquanto isso (e isso não dissemos) ser rainha desobriga. Tenho de parecer um ser humano o tempo todo, mas raramente tenho de ser um. Tenho gente para fazer isso por mim”.

Pág 70.

 

“Você não põe sua vida nos seus livros. Você a encontra neles”.

Pág 94.

 

“— Como alguns de vocês sabem, ao longo dos últimos anos me transformei numa ávida leitora. Os livros enriqueceram minha vida de uma forma que nunca teríamos esperado. Mas livros só podem nos levar até um determinado ponto e agora acredito ter chegado a hora de no lugar de leitora me transformar, ou tentar me transformar, em escritora”.

Pág 103.

[Resenha] Jackaby — William Ritter

Oioi gente!

Hoje venho trazer a resenha de um livro que está entre os meus queridinhos: Jackaby, que de uma forma bem estranha se tornou um dos meus crushs literários de 2016. Agora finalmente ele ganhará uma resenha aqui no A&V.

jackaby“Eu sou um homem de razão e da ciência. Acredito no que vejo e posso provar, e o que vejo geralmente é difícil para os outros compreenderem. Até onde eu descobri, tenho um dom ímpar. Isso me permite ver a verdade quando os outros só enxergam ilusão. E há muitas ilusões, muitas máscaras e fachadas. Como dizem, o mundo todo é um palco e parece que eu tenho a única poltrona da casa, com vista para os bastidores.”

Abigail Rook deixou sua família na Inglaterra para encontrar uma vida mais empolgante além dos limites de seu lar. Entre caminhos e descaminhos, no gelado janeiro de 1892 ela desembarca na cidade de New Fiddleham. Tudo o que precisa é de um emprego de verdade, então, sua busca a leva diretamente para Jackaby, o estranho detetive que afirma ser capaz de identificar o sobrenatural.
Contratada como assistente, em seu primeiro dia de trabalho Abigail se vê no meio de um caso emocionante: um serial killer está à solta na cidade. A polícia está convencida de que se trata de um vilão comum, contudo, para Jackaby, o assassino com certeza não é uma criatura humana.
Será que Abigail conseguirá acompanhar os passos desse homem tão excêntrico? Ela finalmente encontrou a aventura com a qual tanto sonhara.

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Editora: Única     ano: 2014     Páginas: 254     autor: William Ritter

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O livro começa com Abigail Rook desembarcando em New Fiddleham. É final de Janeiro de 1892 e a moça está em um lugar desconhecido, sem emprego e sem dinheiro.

Abigail, filha de pai antropólogo, sempre teve sede pela descoberta, no entanto, seu desejo de conhecer o novo foi sufocado por anos pelo pai. Até que movida pelo desejo de buscar aventuras, Abigail fugiu. Pegou o dinheiro destinado aos estudos e ingressou numa expedição com o anuncio de uma “Oportunidade Empolgante” em mãos. No fim o trabalho não tinha nada de empolgante, porém era tarde demais para voltar atrás.

Os meses seguintes poderiam ser descritos como uma “oportunidade empolgante”, somente se a definição de empolgante incluísse passar meses comendo as mesmas refeições sem gosto, dormindo em caminhas desconfortáveis e cavando, com pá, a terra rochosa, dia após dia, numa busca inútil.

Agora ali estava ela: em um lugar desconhecido e sem um centavo no bolso, mas obstinada o bastante para não voltar para casa.

A Srta Rook foi sem dúvida uma das personagens que mais gostei. Ela tem foco, gosta de fazer perguntas e não tem medo de arriscar. Imaginei-a muitas vezes como uma moça inocente e curiosa para alguns assuntos, porém determinada e segura em outros.

Precisando de emprego e em sua busca por aventura, ela não pensou duas vezes e respondeu ao anúncio de serviços investigativos encontrado. Jackaby, seu mais novo patrão, via o extraordinário, invadia cenas de crime, roubava provas de investigações e afirmava que criaturinhas moravam no casaco de Abigail. E de uma forma bem maluca, era o tipo de aventura que a Srta Rook vinha buscando.

Esse mundo está cheio de dragões. O que precisamos é de um pouco de gente que não seja orgulhosa demais para ouvir um peixe.

Embarcando em uma investigação arriscada, os dois partem em busca de um misterioso assassino que comete crimes brutais e que, pelo que afirma o detetive, não era humano.

A leitura é leve, narrada em primeira pessoa pela Abigail, com diálogos descontraídos por causa do sarcasmo e excentricidade de Jackaby. A dose sobrenatural é a grande chave do livro, com criaturas de diferentes culturas que enriqueceram a obra. Os personagens secundários também merecem seu lugar na resenha: O inspetor Marlowe é o principal alvo das investidas sarcásticas de Jackaby, e as cenas em que os dois se confrontam são muito, mas muito divertidas; e há o detetive Charlie Cane que tem papel fundamental no desenrolar dos fatos (e no meu coração ~CofCof).

Não vou mentir: comprei o livro pela capa. Ele estava na promoção e a capa com detalhes em verniz tinha que fazer parte da minha estante. Foi uma compra as cegas e sem nenhuma recomendação, mas não me arrependi nem um pouco.

Minha única ressalva é a forma de organização dos parágrafos. A forma de escrita do William Ritter me deixou um pouco confusa, com algumas falas juntas no mesmo parágrafo. Essa “bagunça” foi proposital, provavelmente para fugir dos padrões e se assemelhar à história. Não prejudica a leitura em si, no entanto, foi desconfortável.

Quanto à diagramação e o enredo, os dois estão sensacionais. A edição da Editora Única está maravilhosa, com folhas levemente amareladas e a capa envernizada, e a narrativa de Jackaby prende até a ultima página. Como primeiro romance do Ritter, só tenho a dizer que amei e aguardo ansiosamente a publicação dos outros volumes.

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[Resenha] O Refúgio do Marquês — Lucy Vargas

Oioi gente!

Faz tempo que li O Refúgio do Marquês, da Lucy Vargas, mas infelizmente só consegui escrever uma resenha digna agora.

A Lucy é brasileira e eu fiquei muito contente em saber que temos autores maravilhosos e que representam tão bem o meu gênero literário favorito. Por isso, depois de algumas semanas sumida, resolvi retornar com a resenha de um livro que significou muito para mim.

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“Agora você é meu refúgio e, com certeza, o mais belo”.

Henrik e Caroline não poderiam ser mais diferentes.

Ele, o Marquês de Bridington, é um homem selvagem e inapropriado, que vive há anos no campo, fugindo dos fantasmas do seu passado obscuro e repleto de segredos.

Ela, Caroline Mooren, a Baronesa de Clarington, é uma jovem destemida, com um passado doloroso, que recebe a missão de reformar a mansão e talvez o marquês, ao menos é o que a marquesa viúva espera.

Ele é um caso perdido. Ela é uma mulher com um futuro incerto. Mas juntos, eles se completam e acendem a chama da paixão, que ambos acreditavam estar completamente extinguida, trazendo à tona segredos e temores que ambos escondem.

Se reerguer sob o peso do passado será uma batalha que ultrapassará os limites do refúgio que o marquês pensa ter construído, mas será que o amor é capaz de ultrapassar tantas barreiras e vencer, ou eles perderão tudo outra vez?

Editora: Charme     ano: 2015     Páginas: 312     autor: Lucy Vargas

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Caroline Mooren, a baronesa de Clarington, finalmente ficou viúva, algo que ela não lamentava nem um pouco. Bonita, jovem e destemida, a única coisa de Caroline não tem é dinheiro. Por outro lado, Hilde Preston, a marquesa viúva, tem de sobra e pretende usar isso ao seu favor. Sabendo do problema financeiro de sua parente distante, a ardilosa marquesa oferece a Caroline um teto e uma boa quantia para se manter, se a moça conseguir dar um jeito em Bright Hall antes que a casa caia sobre a cabeça do selvagem Marquês de Bridington.

— E seu filho está procurando uma… Governanta? 

— Não. Meu filho está fora de si. Eu estou contratando você para tomar conta dele.

— Dele? — Ela franziu o cenho.

— De certa forma. Preciso que acabe com aquela bagunça. Recupere a casa, arranje criados, mande limpar tudo e sirva boas refeições — Resumiu Hilde.

— E o que a marquesa pensa disso? — Caroline perguntou, num tom desconfiado.

— Nada. Talvez até você terminar, ela já tenha ido descansar em paz.

Henrik Preston é o oposto de um homem com seu título: sempre queimado de sol (e Caroline acredita fielmente que para alguém pegar um bronzeado daqueles, precisa estar trabalhando ao ar livre seminu), botas sujas, barba por fazer, com o maldito botão de sua camisa aberto de forma indecente e, pelo que a nova convidada pode comprovar, não tem a mínima noção de como tratar uma dama. Pelo visto não é apenas a casa que precisa de uma repaginada, seu dono também.

Depois de se instalar em Bright Hall e ignorar os protestos do marquês quanto a isso, Caroline começa a descobrir que aquele não é um lar comum. Para começar, o marquês não é viúvo. Sua mulher Roseane é uma enferma que nunca sai da cama e lança sopas voadoras a uma distância assustadora. E há Lydia, a filha de cinco anos do casal.

— Lydia, esta é Lady Caroline. Ela é uma parente distante de sua avó. E ela resolveu se instalar aqui em casa porque é completamente insana e nunca para de falar. Mas é uma dama, então a trate como tal.

A garotinha é adorável, e quase tão selvagem quanto o pai. É preciso que Lady Caroline arregace as mangas, ignore os maus comentários das damas da alta sociedade que veem sua estadia em Bright Hall como uma ameaça, já que a mãe de Henrik jura que logo seu filho ficará viúvo e estará disponível, e reze para não acabar matando o marquês por sua falta de modos, indisciplina e comentários afiados que a tiram do sério:

— Esse estábulo está mais bem cuidado do que a sua casa estava antes.

— Obrigado pelo elogio. Tenho certeza de que os cavalos vão adorar saber disso.

O livro é narrado em terceira pessoa e eu fiquei muito encantada pela escrita da autora. Ela flui naturalmente e tem aquela pitada de humor sarcástico que torna os romances de época únicos para mim. O Refúgio do Marquês tem pouco mais de 300 páginas e eu li tranquilamente em duas madrugadas, em meio a gargalhadas e algumas lágrimas.

Não é o primeiro livro do gênero que eu leio de um autor nacional, mas com certeza a Lucy está no topo da minha lista de favoritos. Ela soube acrescentar humor, drama e romance na medida certa, sem muito exagero.

O segundo livro, Uma Dama Imperfeita, está disponível em e-book ou no Kindle Unlimited e pelo que eu andei lendo nas recomendações, parece estar ainda melhor que o primeiro.

Espero que tenham gostado da resenha ❤

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[Resenha] Antologia Mulheres Fatais

m (1)Contos Policiais com Foco em Mulheres.

“Deve-se temer mais o amor de uma mulher do que o ódio de um homem.”

Sócrates

Editora: Illuminare     ano: 2017     páginas: 64     autores: Amélia Greier, Beatriz Andrade, Bruno Sérvulo, Cecilia Torres, Gustavo Cruz Jorge, Jefferson Azevedo Terra, Najara Oliveira, Perla de Castro, Regiane Silva, Rô Mierling, Thaynara Melo, Viviane Dutra.

Editora IlluminareLivraria Illumiare

Há uns dias eu estava comentando com uma amiga sobre a falta de representatividade feminina em alguns livros, então recebi Mulheres Fatais, um livro repleto de contos sobre mulheres objetivas, calculistas, que sobreviveram a traumas ou lutam para seguir em frente.

Logo no início o Tito Prates, escritor e pesquisador literário, reúne em uma espécie de prefácio, mulheres que marcaram a literatura mundial e aquelas que marcam a nossa vida constantemente.

“Restam então duas mulheres fatais no mundo do romance policial: as terríveis, espertas e astutas detetives e as escritoras de romance policial. Sim, elas são fatais, cada uma à sua maneira.”

Os contos variam entre a primeira e terceira pessoa e são muito bem escritos, os personagens são bem construídos e os autores souberam aproveitar cada página. É o primeiro contato que eu tenho com a Editora Illuminare e ela me surpreendeu muito, a diagramação está muito boa e a capa faz jus ao livro. Eu realmente fiquei encantada, o gênero policial, como eu já comentei diversas vezes, é o meu favorito e eu me apaixonei por Mulheres Fatais. Mas não era para menos, né? A Editora é famosa por suas antologias e essa está excelente.

Escolhi dois contos para citar na resenha: o primeiro é Jeito Fatal, da Amélia Greier. Nele, Marina, uma jovem que chega em casa aparentemente drogada, relembra momentos de sua vida entre sonhos e a lucidez. De como sua mãe a tratava quando era mais nova e a culpa que atribuía a garota por ter aberto mão da carreira promissora de modelo. Toda a pressão exercida pela mãe de Marina contribuíram para seu estado atual. Não vou mentir, é um pouco agoniante a situação. Você está lendo e observando de longe as coisas que fizeram uma garota com um futuro inteiro pela frente desistir de tudo.

E o segundo Bela Como o Demônio, do Gustavo Cruz Jorge. Não é de hoje que nos livros e nas telinhas mulheres bonitas aplicam golpes em milionários e saem impunes. Nesse conto, Gustavo captou bem isso. A bela Sra Gillian é a personificação da mocinha indefesa e a última pessoa que a polícia irá suspeitar. Pelo menos até que ela cometa um deslize.

Nesses dois contos eu gostei de como os autores desenvolveram seus personagens e transmitiram seus sentimentos e ações para os leitores. Todos tratam de mulheres perigosas e fatais, porque, desde que o mundo é mundo, a mocinha pode se tornar vilã. No primeiro texto o sentimento de escárnio pela mãe de Marina me inundou, mas, por outro lado, em Bela Como o Demônio, a atitude da Sra Gillian que já era esperada pelo leitor, fez com que eu sentisse empatia e desejasse que ela escapasse. É o autor que molda o vilão fazendo com que o odiemos ou não.

Bem, é isso. Ressaltei os dois contos que mais gostei e se vocês se interessaram tem outros dez contos esperando para serem conferidos.

Juntas, essas mulheres fatais, detetives ou escritoras, foram responsáveis por mais crimes e soluções que qualquer pessoa do mundo real. Não brinque com elas. Podem te manipular ao bel-prazer delas e… Acabar com você!

Contos:

Jeito Fatal — Amélia Greier

Busca Pela Vingança — Beatriz Andrade da Silva

Rasga-Mortalha — Bruno Sérvulo

E os Abutres Dizem Amém — Cecília Torres

Bela Como o Demônio — Gustavo Cruz Jorge

Roubos — Jéfferson Terra

Máscara — Narjara Oliveira

Calando a Sujeira — Perla de Castro

Blameless — Regiane Silva 

Brinco de Pérolas — Rô Mierling

Anônimas — Thaynara Melo 

Reforço — Viviane Dutra

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~Duda Almeida