[Amores e Outras Bobagens] #2 Sobre Cantar na Xuxa

Minha paixão sempre foi a música. Sempre dei altos shows no chuveiro, tendo como plateia produtos de beleza que nunca julgaram minha voz desafinada. Quando era mais nova, as pessoas também não faziam questão de me alertar do quanto minha voz era irritante. Nãão. Choviam comentários de “nossa, que menina fofa” ou “essa vai ser cantora”. Até minha própria mãe compactuou com isso.

Por isso aos três anos eu jurava de pé junto que viveria da música e cantaria em programas de televisão. Sonhava alto, com palcos, autógrafos e uma legião de fãs. E, como não poderia deixar de ser, minha musa inspiradora era a Rainha dos Baixinhos. Meu coração de criança vibrava quando a Xuxa aparecia e eu me imaginava lá, cantando com ela.

Naquela época morávamos na Bahia, em uma cidadezinha pequena do interior, e não existia alma viva que não conhecesse minha família. Era uma noite bem quente de verão (lá sempre era quente, pra falar a verdade), e eu usava um vestidinho bordado e rodava ele nas coxas gorduchas para aliviar o calor. Meus pais estavam sentados em uma mesa, conversando com uns amigos quando me aproximei.

Mamãe me pegou e colocou no colo enquanto eu observava a mesa.

— E aí, Dudinha? — Barraca, um amigo dos meus pais, chamou minha atenção. Ele era um homem alto e forte que costumava visitar a casa da minha avó e me dar balas macias de iogurte. — Quando vai visitar minha barraquinha lá na praça?

Visitar uma barraquinha na praça? Ah, meus altos padrões infantis não gostaram disso.

Fingi que não era comigo e comecei a fazer um bolo de guardanapos, totalmente entediada e louca para ir embora.

— É, Dudinha — Mamãe comentou e apertou minhas bochechas. Afinal, o que os adultos têm contra as bochechas das crianças? — Vamos te levar para conhecer a barraca do Barraca. — E os adultos riram da frase. Continuei calada, irritada demais para dizer alguma coisa.

Desci do colo de mamãe e cruzei os braços, um sinal claro de que não estava gostando daquilo, mas mamãe nunca foi boa com sinais. Os adultos sempre interpretam as crianças de forma errada e por qualquer motivo somos a coisa mais fofa do mundo.

— Você gosta de cantar — Barraca continuou — Quando você vai cantar na minha barraca?

Ah! Qualé? Essa coisa de barraca e Barraca já estava enchendo. Levei as mãos pequenas e rechonchudas até a cintura, semicerrei os olhos e respondi com todo meu orgulho de pequena revelação da música:

— Meu filho, eu vou cantar é na Xuxa.

Eles riram, claro. Debochando do meu sonho e ignorando a cantorassa que estava na frente deles. E no fim, acabou que nem na Xuxa e nem na barraca do Barraca eu fui cantar. O sucesso morreu naquela noite, soterrado nos destroços da minha dignidade infantil.

—*—

Obs: Todos os fatos narrados são verdadeiros.

Outros contos de Amores e Outras Bobagens:

#1 Sobre os Primeiros Beijos

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[Primeiras Impressões] A Caminho da Eternidade — Tatiane Tálita

Oioi gente!

Antes de começar as Primeiras Impressões, queria que vocês analisassem essa semana que passou e respondessem com sinceridade: como têm aproveitado a vida? Será que passam o dia reclamando ou suportam um trabalho desagradável? Se pararmos para pensar (e nem precisamos de muita reflexão para isso), veremos que nossa vida é muito curta. Vivemos em um meio apressado, com desconhecidos correndo a todo o vapor para cumprirem seus compromissos e ao final do dia, após todo esforço e cansaço, será que valeu a pena? Enquanto lia os primeiros capítulos de A Caminho da Eternidade, da Tatiane Tálita, meu maior questionamento foi: será que tenho aproveitado todos os momentos e vivido com intensidade?

51gqVgv8p7LO que uma pessoa que sabe que vai morrer é capaz de fazer?

Isabela Gusmão de Alvarenga cresceu dentro de uma redoma de vidro, cercada de carinho e proteção, para não se quebrar, para não morrer… mas Bela tinha um plano para se libertar e viver sem a sombra da morte pesando em seu caminho. Ela criou uma lista de onze passos para a Eternidade. E determinada em tornar seu instante de vida eterno, Isabela fechou os olhos, quebrou o vidro ao seu redor e se jogou no mundo, inventando uma nova história para si mesma.
Com ajuda do lutador conhecido como “O Suicida”, Oliver Partezanne, um jovem que não teme a morte, Bela vai caminhar para a eternidade e vai descobrir o quanto um instante bem vivido vale mais do que 100 anos de simples existência.
Isabela e Oliver vão se aventurar no doce sabor do agora, em um romance intenso, engraçado e doloroso.
Uma Não Princesa prestes a morrer e um Ogro fofo.
Uma história de vida, amor e morte.

“A vida é feita de instantes, faça seu instante ser infinito de felicidade…”
Isabela Gusmão de Alvarenga.

Páginas: 335     Ano: 2017     Autor: Tatiane Tálita
A única certeza que temos na vida, é que iremos morrer, no entanto, Isabela Gusmão de Alvarenga sabia que seu tempo seria menor que os demais.
Dizem os sábios que devemos temer mais uma vida insignificante do que a morte, pois viver é completamente diferente de existir. Tem pessoas que passam a vida inteira sem conseguir vivê-la de verdade, enquanto outros, fazem de instantes eternidade.
Após se mudar para São Paulo e ir morar com o irmão, Bela repara que sua vida tem passado como um borrão e seu maior medo não é morrer, mas sim como aproveitou seus últimos momentos. Até aquele instante, ela nada tinha a se orgulhar. Com um pai e um irmão super protetores demais, Bela vivia confinada a própria morte.
Já em São Paulo, a primeira pessoa que Isabela conhece é Oliver Partezanne, o Suicida, que participa de lutas ilegais para conseguir se sustentar e custear a vida que pretende ter fora do país. Vivendo a toda intensidade e sempre no limite, Oliver é o completo oposto de Isabela, porém, isso parece atraí-los no primeiro contato. Após ficarem presos no mesmo elevador, Oliver se sente curioso com relação a garota ruiva. E a surpresa é ainda maior quando Isabela descobre que Oliver é o melhor amigo de seu irmão e que, sem que seus pais saibam, mora no mesmo apartamento que Felipe.
Os primeiros capítulos apresentam os personagem. Admito que no primeiro contato, odiei o irmão de Isabela. Felipe não é só o irmão super protetor. É um babacão de marca maior que, ao meu ver, ao invés de se importar com a irmã, só está preocupado que algo de ruim aconteça e ele leve a culpa. Talvez eu esteja enganada, afinal, só li seis capítulos, mas até o momento Felipe está na minha lista negra de personagens para serem odiadas por toda a eternidade.
O nome do livro não poderia ser outro. A Caminho da Eternidade tem um significado único, é a eternidade de Isabela, suas lutas e conquistas. Bela cria uma lista com onze coisas que precisa fazer antes de morrer, e contando com a ajuda do lutador sem noção, irá caminhar até a eternidade. Até a sua eternidade.
É impossível não gostar da Isabela. Mesmo tendo lido pouco, esses capítulos mostraram uma garota de personalidade forte, muito decidida e que luta por seus ideais. E Oliver, ao contrário do que eu esperava, não é aquele mocinho babaca igual ao Felipe.
— Você não faz o meu tipo. — Respondeu, segura de si, jogando o cabelo para trás e levantando bem o pescoço para encarar Oliver frente a frente, para não transparecer que tinha mentido […].
— Você também não faz o meu tipo, gosto de garotas bem resolvidas e bem-humoradas. Você é um porre. — Ele riu, tentando esconder o contragosto […] — Amigos? — Oliver perguntou, estendendo a mão.
Bela hesitou por alguns segundos. Pensando em toda a situação em qual estava. Sua vida parecia fora dos trilhos.
— Amigos. — Respondeu pegando firme na mão dele e dando-lhe um belo e doloroso sorriso que mexeu com a mente segura dele. — Bora lá, lutador. 
Eu particularmente gostei bastante da premissa. Há uns três anos fiz uma lista de coisas que queria fazer antes dos vinte, e após iniciar a leitura de A Caminho da Eternidade, pretendo fazer uma lista para a vida toda, com todas aquelas vontades loucas e desejos que podem parecer simples, mas que para mim tem um significado especial.
Bem, é uma leitura que vale a pena. A escrita a autora é fluida e os personagens são cativantes, e no início dos capítulos há citações de séries e músicas incríveis que dão um significado maior e mais especial a trama. Prevejo futuras lágrimas? Com certeza!