[Resenha] A Vez de Anne — Mônica Meirelles

Adivinha quem resolveu começar o ano com o pé direito e finalmente escrever a resenha desse livro maravilhoso? Eu mesma, Atrasada Mello.

Não usarei o trocadilho super sem graça sobre agora ser realmente A Vez de Anne — já era, perdão – porque esse livro vai me render muito assunto pra discutir com vocês. Então, bora lá?

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O problema não é estar grávida do ex que Anne não ama mais. O problema também não é se apaixonar por um homem mais velho, estranho, que do nada some e não se explica.
O problema é estar grávida e perder a liberdade, é ver as pessoas que ela considera amigos lhe virarem as costas, é ser traída, ser enganada, é se sentir insegura e abandonada, é não saber o que esperar das pessoas e da vida. No entanto, o problema, antes de tudo, é precisar fazer escolhas e não saber que escolhas fazer, escolhas essas que possibilitará ou não a sua vez de ser feliz, A vez de Anne.

Editora: Alvo Editorial     Páginas: 300     Ano: 2016     Gênero: Romance     Autor: Mônica Meirelles

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Annelise ou apenas Anne, é uma jovem gaúcha no auge dos seus 19 anos. No começo da trama, vive uma situação complicada com seu agora ex namorado, Vitor, que traia a nossa protagonista com uma de suas melhores amigas. Sim, a história tem dessas tretas!

No carnaval, Anne, seus pais, seu irmão mais novo e sua melhor amiga, Lucy, partem em uma viagem para o Rio de Janeiro. Nesse tempo, Anne descobre que está grávida do safadoidiotatraidorimoralridiculoescroto Vitor, seu ex-namorado. Na mesma perspectiva, Anne conhece Daniel, um médico que de imediato já rouba seu coração.

Sempre que eu perguntava à minha mãe, ela me dizia que não tinha como descrever a dor do parto, que nós acabávamos esquecendo que sabíamos que sentimos a dor, mas não sabíamos descrever a intensidade porque o prazer que vem depois apaga tudo que sentimos na hora.”

Eu confesso que no começo não gostei da Anne, mas foi puro capricho meu. Estou acostumada com protagonistas destemidas e que possuem as características que eu mais admiro. Porém, eu também sei que não gostei da Anne por ela parecer comigo e pela sucessão de erros que eu também cometeria no lugar dela. Vou explicar.

Quando disse anteriormente que tinha muito o que falar, era verdade. Foi gratificante ver a Anne amadurecer e isso foi mostrado de maneira gradual. Ela estava grávida aos 19 anos e os problemas não se resolveriam ao raiar do dia, como em muitas tramas. O processo foi lento, doloroso e transformador, assim como qualquer amadurecimento. Amadurecimento real, é tudo sobre isso. No começo vemos uma garota perdida e até mesmo um tanto fútil, que deposita sua vitalidade em um homem que possa fazer a mesma se sentir viva, justamente pelas marcas da traição. Homem esse que vive perdendo de vista e é aí que você começa a sentir, junto com ela, toda a frustração. Em alguns momentos eu odiei muito o Daniel, confesso.

É engraçado como alguns “amigos” se afastam de nós quando deixamos de ser legais na visão deles ou quando não somos mais o que eles querem que sejamos.”

Mais uma coisa interessante: os personagens são bem reais. Sempre há aquela coisa própria de clichês românticos: o perfeitinho e príncipe encantado que livra a mocinha do perigo que o bandido oferece. Porém, nesse caso, a gente percebe que é só questão de perspectiva. E esse amadurecimento que falei antes, não se atribui só a Anne. Podemos ver isso brotando em cada um dos personagens, de maneiras distintas. Isso se torna bem evidente ainda mais na relação da Anne e Daniel, que passa por muitas coisas durante a trama. Se eles ficam juntos? Prefiro não revelar, apenas deixo claro que essa historia vale a pena, de verdade.

Outra coisa (e a última, prometo) é que a história expôs um gatilho interessante: o assédio. Anne passa por uma situação constrangedora com seu chefe, assim que eles começam a trabalhar na mesma sala. As pessoas pra quem ela conta sobre os frequentes assédio que sofria, não dão tanta importância e fazem pouco caso, até a situação ficar mais séria. Eu não esperava essa jogada da autora e foi uma coisa que me deixou bem chocada, porque eu via como Anne tentava contornar tudo para o bem de todos e como nada adiantava para resolver aquele problema. Doeu em mim e nesse momento eu senti a apatia que aprendi a sentir pelo próximo e de como queremos proteger todo mundo disso. É algo para se refletir.

“A Vez de Anne” reúne muitos ensinamentos interessantes em uma quantidade razoável de páginas, aprendemos sobre as dificuldades que a vida oferece e que nem sempre isso significa o fim de tudo. É uma leitura gostosa, o período que o neném da Anne nasce é bem gostoso de se ler e cada mudança é bem satisfatória. Fala sobre se anular para fazer as vontades da sua família e de quem importa para você, mostra o embate entre tomar decisões adultas e racionais ou seguir o coração e nos deixa com uma esperança porque quando o verdadeiro amor existe, ele acontece, não importa quando. Sem mais.

Tu já deste o primeiro passo, que foi esquecer que a birra com teu irmão. O segundo, que foi escolher não ficar com um homem que não ama. O terceiro, que foi afirmar para si mesma que não gosta da faculdade que faz. Agora tu és mãe. Agora tu és dona de uma família. Agora é sua vez, Anne, sua vez de construir sua felicidade.”

Ufa, agora foi. Nem ficou tão grande assim, né? Mas e aí, ficou com vontade de ler também? Garanto que dá pra se surpreender. Me contem o que acharam e se já leram esse livro, sempre temos muitas impressões para trocar, não é mesmo? Eu espero, de coração que vocês tenham gostado!

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